O Grupo Tempo foi fundado em setembro de 1992.

Sob a direção de Roberto Mallet, nosso trabalho vem sendo uma constante reflexão sobre o teatro, sobre arte e filosofia. Com uma questão central: a poética da ação teatral.

Uma poética que tem por matéria a ação do ator, em que as metáforas e os símbolos não surgem de maneira direta, plasticamente, ilustrativamente, mas

encarnam-se no próprio interior da cena, na sua dimensão mais profunda: na ação dramática.

Durante os anos de 1993 e 1994, estivemos ligados ao Núcleo de Pesquisa Teatral do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), onde Roberto Mallet lecionava. Ao longo desses anos viemos aperfeiçoando nosso trabalho de pesquisa e ensino através de workshops ministrados a atores e estudantes de teatro e desenvolvendo nossa própria metodologia e linguagem cênica através de nossos espetáculos. 

Estreamos nossa primeira montagem, Judite, em junho de 1993, que realizou duas temporadas na cidade de São Paulo, além de participar de festivais de teatro.

A comédia clownesca Abismo de Rosas vem sendo apresentada desde 1994, tendo feito temporadas no Piccolo Teatro Estúdio, no Teatro Tuquinha e no Centro Cultural São Paulo, além de cidades do interior paulista. Nosso terceiro espetáculo é Teresinha, de 1998, baseado na autobiografia de Santa Teresa do Menino Jesus.

Em junho de 1999, estreamos Canto de Outono, uma parábola sobre a situação espiritual do homem contemporâneo inspirada na estrutura temática dos autos medievais. Com uma linguagem marcadamente poética e metafórica, este trabalho é um exercício de interpretação em uma linguagem radicalmente não-realista. Este espetáculo ficou em cartaz no Centro Cultural São Paulo e foi apresentado em diversos festivais e encontros de teatro.

No ano de 2001, recebemos subsídio para pesquisa do Projeto Residência de Teatro, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Neste projeto ministramos e organizamos várias oficinas abertas à comunidade, e compartilhamos com ela o processo de criação do espetáculo Drakul – paixão e morte.

Também em 2001 estreamos o monólogo Lições de Abismo, baseado no romance homônimo de Gustavo Corção, com Roberto Mallet, direção de Mário Santana.

Em maio de 2003 estreamos Auto-escola de arte dramática GREGORIO, uma aula aberta sobre teatro ministrada pelo clown Gregorio, criado por Roberto Mallet em 1990. Este espetáculo tem novamente a direção de Mario Santana.

Em 2013, o Grupo ganha novos integrantes: depois de quatro anos tendo aulas com Roberto Mallet no curso de Artes Cênicas da Unicamp e também em cursos fora do âmbito acadêmico, um grupo de alunos egressos naquele ano é convidado a participar do Grupo Tempo, devido à sua afinidade com a poética de Roberto Mallet e seu interesse em continuar esse trabalho no âmbito profissional.

Essa nova fase do Grupo teve início com a montagem da peça Hamlet face à morte, que unia tanto o interesse pelos clássicos como o interesse pelos temas fundamentais, no caso a realidade da morte. A peça teve Mario Santana na direção e Roberto Mallet em cena.

Em 2015, dando continuidade ao nosso interesse por Shakespeare, e pensando em um espetáculo que complementasse nosso trabalho no palco expandindo-o para a rua, sob a direção de Roberto Mallet, criamos o Shakespeare Procêis, uma peça que ressalta o aspecto popular da obra de Shakespeare, abarcando poemas, canções e trechos de peças, tudo isso declamado, cantado e representado por personagens criadas a partir da cultura caipira. 

A peça circula até hoje, sendo apresentada nos mais diversos lugares, para os mais distintos públicos, tendo passado por Sesc’s, Ceu’s, praças e teatros. Isso se dá propriamente pelo caráter popular e universal da proposta poética, que mescla o popular com o erudito, os grandes temas com a simplicidade da vida, o choro com o riso.

Shakespeare Procêis, fazendo valer seu apelo popular, invadiu inclusive o mundo virtual. Através de vídeos curtos, em nosso canal do YouTube e nas outras mídias sociais, começamos por compartilhar um pouco do que fazíamos na peça, e hoje já expandimos esse conteúdo para toda a obra de Shakespeare e outros autores que compartilham de sua universalidade nos grandes temas.

Em 2016, usando o mesmo princípio poético de Shakespeare Procêis, montamos nosso Auto de Natal, no qual os mesmos personagens recontam a seu modo a história do Natal de Jesus. 

A narrativa é feita em toada caipira, e os acontecimentos são representados com simplicidade, devoção e bom humor. Desde então a peça é apresentada todo ano, no mês de dezembro, em comunidades carentes e religiosas de Campinas e região.

Nos meses de outubro e novembro de 2019, o Grupo Tempo realizou o evento Teatro Procêis, uma mostra de repertório acrescida de palestras relacionadas ao papel da arte em nossa formação. O evento foi realizado em quatro sábados no Museu de Arte Sacra de Campinas. Este evento sintetiza o foco que o Grupo tem na articulação entre teatro e educação, no sentido de formação integral do homem.

Por esse motivo, paralelamente aos ensaios e apresentações, mantemos regularmente, desde 2011, um grupo de estudos, aberto também para não-integrantes, em que são abordados 

temas como simbolismo, arte, poética teatral, filosofia etc. Atualmente estamos disponibilizando alguns desses encontros em nosso canal do YouTube.  Também mantemos como oficinas regulares Poética da Ação e Poética do Tempo, ambas com Roberto Mallet.

Devido a esse interesse específico na reflexão sobre o trabalho do ator e do artista em geral, disponibilizamos aqui em nosso site vários textos sobre esses assuntos, uma bibliografia básica sobre o trabalho do ator, sobre o clown, sobre a poética e outros livros importantes para a formação do ator e do artista em geral. Se você quiser ser comunicado por e-mail a cada nova inclusão de texto e sobre nossa programação, INSCREVA-SE EM NOSSA MALA DIRETA: