Lições de Abismo

(2001)

Aún para espectadores entrenados de teatro como quien suscribe, resulta un gran estímulo el comienzo de la pieza, con el actor en una actitud natural de contacto con el público. No se trata de que el recurso sea nuevo sino de la forma tan carnal y afectiva con que el la desempeña. En cuanto al espectáculo en sí, no tiene desperdicio. Por encima de los fragmentos chejovianos y del rol de actor del personaje protagónico, lo que interesa, y mucho, es la historia de ese ser que se enfrenta a una situación que lo lleva al borde de su condición humana. La actuación resulta absolutamente convincente. La puesta en escena, con una absoluta economía de recursos, logra sin embargo una gran precisión.

Me gusto muchó.

Alfredo Megna – Dramaturgo (Buenos Aires – Argentina)

 

CARTA A UM AMIGO QUE NÃO SE VÊ TODOS OS DIAS MAS ESTÁ SEMPRE PRESENTE

Roberto Mallet (irmão de Arte),

Recebi uma mensagem em que me pedias para comentar as “Lições de Abismo”. Coisa facilitadora esta a do e-mail. Tu escreves e eu logo respondo, em tempo real, como se tanto mar que nos separa fosse coisa de somenos importância, inexistente o abismo entre o tempo e o modo.

Mas não é esta a verdade. Há um abismo imenso que nos separa: o dessa coisa tão portuguesa que é a saudade. Saudade de ver e rever e tornar a ver de novo, esse momento único de representação em que cada actor se expõe (em que te desnudas como ninguém), expondo cada um de nós “actor social” face a esta tão humana angústia de querer apenas passear os dias e sorver cada instante. “Lições de Abismo” não é um espectáculo de teatro per se. É uma outra transcendência de representação do Teatro da Vida. Angustiante, doloroso, bem humorado por vezes. Mas sobretudo é a conjunção perfeita desse momento único em que o actor dialoga com o espectador de um modo subtil, preciso, quase cirúrgico. Confesso que valeu a pena viajar até ao Brasil para me confrontar com tão exímia representação. Tornou-se um marco indelével na minha história pessoal de Teatro, tanto que a saudade aperta para que me devolva a oportunidade de partilhar com o Grupo Tempo a experiência de ver-falar-trocar este Teatro além-Oceano. São espectáculos que assim que nos fazem sentir o valor intrínseco da Amizade por quem está longe mas em quem se pensa todos os dias.

Obrigado Roberto!

João Lázaro – Director Artístico do TE-ATO – Grupo-Teatro de Leiria (Portugal).