Judite (1993)

Capa sem esfumado

Apoio

O confronto entre o sagrado e o profano assume nos dias de hoje proporções inéditas na história da humanidade, com o predomínio esmagador do segundo sobre o primeiro.  A espiritualidade humana, ou seja, o exercício da vontade e da inteligência, vem degradando vertiginosamente. Não há mais espaço para o amor, que não tem nada a ver com um vago sentimentalismo e muito menos com uma desenfreada permissividade dos instintos; não há mais espaço para o pensamento, visto pelos nossos contemporâneos com uma certa desconfiança ou, o que é pior, perdido de vista pelo mergulho na corporeidade e pela hipnose coletiva gerada pelo palavrório vazio e pelo advento da pseudo-espiritualidade.

A verdadeira espiritualidade encontra-se assediada pelo numeroso exército do materialismo e da ignorância, comandado por um general abstrato e sem nome, mas nem por isso menos real e terrível.  Quando alcançaremos que a força e a própria razão de ser desse inimigo alimentam-se de nossa passividade, de nosso descaso e de nossa cegueira intelectual?

Roberto Mallet