Drakul – paixão e morte (2002)

Ai de ti, que edificas com sangue a cidade. A violência te cobrirá, por causa do sangue humano derramado e por causa da violência feita ao país, à cidade e a todos os seus habitantes.

Hab 2,12a;17

A idéia de montar uma adaptação de Drácula vem sendo acalentada há alguns anos. Com a produção de Canto de Outono, tivemos a oportunidade de desenvolver uma radical investigação sobre a ação dramática não-realista. Trabalhamos sobre a estrutura temática do auto medieval com um tratamento poético contemporâneo.

Há anos estamos debruçados sobre esta questão: como realizar seqüências de ações que não reproduzam a vida de maneira naturalista? E isto sem criar um espetáculo hermético ou virtuosístico. Chegamos assim a uma abordagem poética, simbólica, metafórica da cena, levando os atores a encontrar no campo das ações uma lógica de composição análoga à do poeta.

Em Drakul – Paixão e Morte, a história é contada em quadros que obedecem a um desenvolvimento cronológico, ligando-se através de elipses, transições, rupturas. Muitas vezes esses quadros acontecem simultaneamente, criando um outro eixo de leitura, vertical, onde duas ou mais ações concomitantes associam-se, dialogam, criando novos sentidos.

Para estabelecer o roteiro, partimos do livro de Bram Stoker e das suas versões cinematográficas de F.W. Murnau e W. Herzog. Logo o roteiro de Nosferatu mostrou-se melhor para nossa concepção.

Sinopse

Renfiel, o proprietário de uma imobiliária que é utilizado pelo Conde Drakul para entrar na cidade de Londres acaba louco, internado no manicômio da cidade. Morto o mestre, Renfield, trancafiado em sua cela, rememora ininterruptamente a vida, paixão e morte do Conde. Por sua intermediação Jonathan foi à Transilvânia a fim de vender um casarão londrino para Drakul. Drakul bebe o sangue de Jonathan e abandona-o em seu castelo, dirigindo-se em um navio para Londres. Ele está fascinado por Mina, mulher de Jonathan – quer conquistá-la e ter dela sua eterna companheira. Com a sua chegada em Londres, desencadeia-se uma peste na cidade. Lucy, amiga de Mina, encontra na biblioteca municipal um livro sobre vampiros que explica os acontecimentos nefastos que se desenrolam em Londres e o desaparecimento de Jonathan. Entrega-o a Mina, que descobre nele a maneira de vencer o vampiro – uma mulher de coração puro deve entregar-se ao Conde para que ele esqueça a hora e seja surpreendido pelo nascer do sol, que o destruirá.

Cenografia

O espaço cenográfico é concebido como a cela de Renfield: um corredor de 3,5 m de largura por 8,5 m de profundidade. É delimitado por fileiras de velas, apoiadas em postes de ferro. Um tapete vermelho determina a área de representação. A iluminação é feita pelas velas e por lâmpadas colocadas dentro dos postes.

Ficha Técnica

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