Canto de Outono

(1999)

canto_cartaz

De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se ele vier a perder sua alma?
Ou que coisa poderá oferecer o homem em troca de sua própria alma?
Mt 16,26

Canto de Outono é uma reflexão poética sobre a situação do homem contemporâneo. Desde 1992, o Grupo Tempo vem desenvolvendo sua pesquisa no sentido de criar espetáculos que sejam um lugar de meditação e de confronto com os temas mais fundamentais da nossa existência.

Utilizando a estrutura narrativa das moralidades e dos autos medievais como princípio de construção cênica, Canto de Outono não utiliza um linguagem naturalista.  É antes uma parábola sobre a aventura espiritual do homem, sua busca de si mesmo e as muitas vicissitudes e tentações que se apresentam nessa jornada.

A peça nos apresenta como protagonistas dessa história um casal que, como o “Adão e Eva” bíblicos, representam ao mesmo tempo toda a humanidade e cada um de nós mesmos. Como nos autos medievais, esse casal debate-se entre os apelos mais baixos da nossa natureza e os anseios de beleza e de verdade da consciência.  Essas tendências antagônicas correspondem ao papel que desempenhavam, no teatro medieval, as figuras dos anjos e dos demônios.

Embora a estrutura e a temática do espetáculo sejam medievais, sua linguagem é absolutamente contemporânea.  A história desenvolve-se em saltos e elipses, com marcados elementos simbólicos, sem obedecer a uma lógica realista e ilustrativa.

Em Canto de Outono o Grupo Tempo reafirma seu postulado poético fundamental: em seu teatro, é a partir do trabalho do ator, primeiro como criador e depois como veículo e motor da ação dramática, que tudo se organiza.  Todos os outros aspectos da cena nascem e se desenvolvem a partir desse elemento central – o homem que age.

Trilha Sonora

Em “Canto de Outono” após inúmeras experimentações tivemos de renunciar à idéia de compor uma trilha para o espetáculo; ficara claro que nada que fosse externo à peça e ao espaço cênico se incorporaria a ela.

Era necessário dar atenção às possibilidades sonoras que a própria cena oferecia através de adereços e outros objetos, ou simplesmente aproveitando os atores enquanto possíveis intérpretes e/ou executantes de canções e efeitos sonoros.
Dentro disso, fomos aos poucos identificando os pontos da peça que nos suscitavam a necessidade de sons ou música, para aí então sairmos em busca do material necessário, fosse este um adereço, ou uma canção medieval espanhola, ou um fragmento de uma cantata…

O resultado final foram algumas texturas sonoras usadas para trazer à cena sensações análogas às que encontramos em uma trilha, como: crescendo, diminuindo, tencionando, suspendendo, pontuando, etc. A estas intercalamos algumas canções como: Oy Comamos (de J.de la Encina), In Truitina (de Carl Orff) e outras, todas interpretadas pelo próprio elenco, em arranjos a várias vozes adaptados às nossas possibilidades, ou em solos à capela.

Homero Feijó

Ficha Técnica

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