Auto de Natal (2016)

Numa espécie de Reisado paulistano, no qual os três Reis Magos são três violeiros, com muita música e cantoria, um grupo de caipiras narra e encena o Natal do Senhor, anunciando a Boa-Nova com toda a fé, alegria e simplicidade que merece essa festividade.

A idéia da peça nasceu da vontade de articular esse tipo de encenação religiosa e solene com a simplicidade no modo de contar e representar tão característica do povo caipira. A solução da narração feita pelos tipos caipiras tem uma finalidade análoga à do espetáculo Shakespeare Procêis – berço dessas mesmas personagens.

Do mesmo modo que lá elas são usadas como mediação para a popularização do autor britânico, aqui, fugindo da armadilha de querer representar os maiores santos da história – Maria e José – e este acontecimento por demais grandioso – o nascimento do Cristo –, eles se sujeitam à indigna missão de contadores dessa história milagrosa, afastando-se de uma linguagem realista, provavelmente insuficiente para transmissão não só da história, mas da relação que o povo brasileiro tem com ela através da fé.

Assim, a ponte está feita, as personagens são ao mesmo tempo atores e público, representam e se encantam com o que representaram, e desse modo humilde e verdadeiro vão tornando presente seu Auto de Natal.

Ficha Técnica

Elenco

Felipe Denardi (Bastião – Anjo Gabriel)
Gabriel Correa (Mariano – Melchior)
Giuliano Bonesso (Osmar – Gaspar)
Juliana Franco (Rosalinda – Virgem Maria)
Lucas Caparrós (Fabinho – Pastor)
Marília Magalhães (Vilminha – Sta. Isabel)
Rafael Quelle (Robson – Baltazar)
Roger Campanhari (Chico – São José)

Texto

Felipe Denardi

Composição e direção musical

Nelson Dias Corrêa

Direção

Roberto Mallet