Abismo de Rosas

(1994)

As “velhas” atrizes que representam no palco “o futuro de uma ilusão” atingem o ponto culminante de fascinação e angústia no público espectador ao mobilizá-lo à reflexão sobre a sexualidade no entardecer da vida, a solidão do “se eu morresse amanhã…” e a morte.  Ou, o que é pior, a morte da cidadania do sujeito asilado, institucionalizado no cárcere da ignorância e do abandono.  Lugar para muitos reservado como única alternativa de sobrevida por uma estrutura social cujo discurso está apenas dirigido a um segmento consumidor, economicamente ativo (ou seja, com poder aquisitivo).  Uma estrutura que, quiçá para defender-se do espelho da decadência (ou da castração), condena por descaso o velho que represente a evidência do devir humano e de sua temporalidade.

Mais do que um impacto que denuncia o que acontece, esta peça me parece um chamado à reintrojeção, isto é, uma proposta de movimentação das pessoas alienadas do discurso dominante para um outro discurso.  O daquele que não tem oportunidade de dizer.  Pois mesmo que o faça, não há quem queira ouvi-lo.

Aquele condenado à marginalidade mais cruel por ter sido declarado culpado de envelhecer.  Ainda mais se ouse ostentar este crime pretendendo engajar-se no espaço público.  Que é o espaço do consumo e da juventude.

Infelizmente, trata-se de uma juventude ensurdecida pelos fones de ouvido, de uma maturidade prisioneira do gozo imediato que deve ser pago no crediário e de uma velhice surda, propriamente dita, segundo alguns ‘mestres do saber’, como um processo natural.

Esta peça é um golpe baixo nas defesas de negação de tantos “velhistas”.  E conseqüentemente merece ser vista e divulgada – ela possui um efeito terapêutico.  Se o Ministério da Saúde se importasse de fato, deveria advertir-nos…

Dr. Arnaldo Dominguez – geriatra e psicanalista

Um olhar que atravessa a janela e vai de encontro ao infinito passado.  Será este o nosso fim?  Não é o que diz Odete, nem Marieta.  Essas duas senhoras misturam o riso e a poesia para mostrar-nos toda a vida da velhice.  Tão simples e tão belo este espetáculo.

Tiche Vianna – atriz e diretora teatral

Uma apresentação sincera, humana e delicada, onde se destacam as interpretações de Bel Ribeiro e Dora Cohen.

Celso Nunes – diretor teatral

Um espetáculo cujo tema enfoca duas senhoras de terceira idade pode ser tão moderno quanto uma banda de rock.  Um asilo para idosos como pano de fundo pode representar um microcosmo das relações nas grandes cidades.  Duas velhinhas rabugentas e implicantes são capazes de seduzir também os jovens.  O material que, normalmente, interessa ao teatro psicológico, em Abismo de Rosas se transforma num vasto desenrolar de situações engraçadas e, ao mesmo tempo, profundamente comoventes.

Roberto Mallet, com rigor e sensibilidade, dirigiu as duas competentes atrizes em um trabalho que resulta primoroso e detalhista.  Teatro autêntico, no qual o ator é o centro do espetáculo.

Neyde Veneziano – diretora teatral

Uma interpretação brilhante das atrizes…

Lélia Abramo – atriz