Abismo de Rosas

(1994)

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Os sonhos são flores altas
de umas distantes montanhas
que um dia se alcançarão.

Resta a areia, resta o barro,
pobreza de folha e conchas
em campos de solidão.

A menina da varanda,
com tantas asas nos braços
e borboletas na mão,

viu partirem grandes barcos,
por mares que não são de água
mas sim de recordação.

Os sonhos são flores altas
dentro dos olhos fechadas,
além da imaginação.

A menina da varanda
dormirá sobre os seus ossos.
E os sonhos, flores tão altas,
de seus ossos nascerão.

Cecília Meireles

A idéia de montar Abismo de Rosas surgiu em janeiro de 1994.  Nessa primeira versão do espetáculo, Odete e Marieta apresentam um show, em que cantam, representam e também brigam muito.  Essa estrutura é ainda o cerne do espetáculo.

Em um segundo momento, as duas amigas foram colocadas em um asilo, e criamos toda uma ambientação desse local com atores e atrizes integrantes do Grupo Tempo, do Núcleo de Pesquisa Teatral do TUCA.  O espetáculo foi assim apresentado em duas temporadas, uma no Piccolo Teatro Estúdio e a segunda no Teatro Tuquinha, espaços que eram ambientados como o próprio asilo.

Esta terceira fase do espetáculo retoma a idéia original, colocando-a porém dentro de um outro contexto: o show é agora um sonho de Odete: durante um passeio promovido pelo asilo em que as duas residem, ela encontra o palco vazio e, sentada, adormece.  Odete então sonha que o público está entrando no teatro (como realmente está), e que Marieta e um músico chegam para começar o espetáculo, e assim se desenvolve toda a peça.  No final, Marieta acorda Odete e as duas saem do teatro pela porta de entrada, de volta para a casa de repouso.

Abismo de Rosas é uma comédia delicada, salpicada de momentos líricos.  Sua temática gira em torno da solidão, da morte, da fragilidade humana em sua radical dependência do outro.

Odete e Marieta são quase um casal – duas amigas que, apesar de suas diferenças, ou justamente por causa delas, vivem e desfrutam juntas os últimos anos de suas vidas.

O espetáculo também traz o tema do artista e de suas frustrações – as recordações e fantasias de uma carreira artística que quase não existiu.  Fala, e nos faz pensar, do fracasso, do esquecimento, das dores e da perplexidade que a maioria dos homens experimenta no final dos seus dias.  Especialmente em um país em que os velhos são considerados lixo e recebem um mísero salário mínimo para garantir a sua sobrevivência.

Ficha Técnica

Elenco

Bel Ribeiro
Dora Cohen

Direção Musical

Carlos Zanon

Texto

Bel Ribeiro
Dora Cohen
Roberto Mallet

Iluminação

Roberto Mallet

Fotografia

Daniel Ruiz Garcia

Produção

Bel Ribeiro
Dora Cohen

Violão

Carlos Zanon

Apoio